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13 Set
2023
No país das burocracias e quintinhas
No país das burocracias e quintinhas
No nosso país, onde tudo tentam aparentar funcionar ao nível Europeu, quem tem de lidar com certas entidades e realidades dos organismos públicos sabe bem que não é assim. Mas por mais que saibamos e que reconheçamos os nossos defeitos de imparcialidade enquanto povo, nunca nos deixamos de surpreender com os critérios ou falta deles de quem aplica regras e detem o poder de um carimbo na mão. Dá para sentir que a nossa pequenez não se resume ao tamanho do país, nem da sua economia, mas da mentalidade que enferruja e enguiça os mecanismos a que as entidades funcionem como era suposto, no entanto, as perguntas ficam sempre por responder; sendo a pricipal: com que lógica e sentido?! Em Outubro de 2022, submeti uma moto importada da Alemanha a uma inspeção B (obrigatória para as motos importadas) de modo a legalizar a documentação (DUA) para circular no nosso país. A moto tratava-se de uma BMW vinda de um Stand BMW e toda de origem, com a particularidade de ser uma edição especial, onde montaram de fábrica algumas peças premium, tais como: um assento especial, um escape Akrapovic entre outros extras que a marca BMW decidiu premear os seus clientes. Chegado à Inspeção do IMT com um representante do IMT, o qual pouco ou nada olhou para a moto nem fez os testes necessários, com uma atitude e tom algo entre o condescendente e o autoritário, perguntou-me onde estavam o número do quadro e o número do motor?! Ao qual disse que não fazia ideia pois não seria do meu conhecimento. Então na sua sabedoria e formação certamente não especializada em motos, mandou-me procurar os números, tirar fotos e enviar para o digno Inspector. Até aí podemos compreender que apesar de não estarem devidamente preparados para inspeccionar motos, pedem a nossa colaboração, mas para mal dos meus pecados, a moto vem com uma ponteira de origem com a marca “Akrapovic” escrita , a qual provavelmente na mente deste inspector representaria algo de enorme rebeldia e grandes ilegalidades nos tempos de antigamente e decidiu chumbar o veículo com base no argumento de que não seriam peças originais, referindo ainda que montadas na fábrica da BMW poderiam ter sido instaladas à margem da Lei! Após este insólito e caricato episódio de alguém que acabou por revelar enorme desconhecimento de motociclos e ainda maior insegurança em lidar com esta área, traduzida por excesso de prepotência e autoridade infundada, vim a saber que este inspector em particular, praticamente chumbava tudo o que aparecia e dificultava as legalizações das motos que passavam por ele. Após receber o Ofício que indicava o chumbo, ou era obrigado a trocar o escape “Original” deste modelo, por algo diferente que eles considerariam legal mas que não fazia parte do veículo; ou teria de arranjar a documentação para que comprovasse a legalidade do mesmo. Teria sido mais fácil simplesmente trocar a ponteira, mas por questões de princípio não me veria forçado a tomar essa acção por pura estupidez de alguém que não está habilitado para a função que estava a cumprir com grande incompetência. Após conseguir obter certificados da própria marca do escape e da própria BMW Alemanha, o digno Inspector alegou que apesar de estar tudo bem com as certificações na Alemanha poderia não estar em Portugal. Mas não apresentou o porquê, nem a lei, nem por questão de décibeis, nem por nada, talvez pensasse que esse país de Terceiro Mundo, tão pouco funcional e eficaz chamado Alemanha não levasse a sério os seus próprios certificados de circulação. Posto isto contactei a BMW Portugal, na esperança de nos seus registos encotrarem motos semelhantes ou iguais vendidas em Portugal e já a circular; no entanto, a solução encontrada foi confirmarem a originalidade do escape montado neste modelo mediante o pagamento de um certificado de 150€ !! A BMW Portugal , pede a um cliente BMW esta módica quantia para emitir um papel que certifica que a moto produzida por eles é original! Fantástico!! São as pessoas que fazem a diferença e isso é comprovado pela BMW Alemanha que me respondeu e enviou a documentação em 24h com total compromisso e abertura enquanto que a BMW Portugal, demorou cerca de 5 semanas a responder um email, a pedir pagamento por um papel que não lhes custa absolutamente nada para um seu cliente. Outro bom exemplo de “quintinha” no nosso Portugal, foi o facto de há 3 semanas um colega motard ter comprado uma moto absolutamente idêntica importada por um Stand da zona de Aveiro, a qual passou na Inspecção do IMT de Aveiro com o mesmo Akrapovic. Talvez o inspector de Aveiro não tenha os mesmos traumas em relação a este tipo de escapes, ou não tenha tanta insegurança em orientar esta responsabilidade que lhe atribuiram. No final, pergunto o porquê de criar tanta dificuldade, tanto problema para uma simples questão. O escape iria colocar-me em perigo na estrada? Ou teria décibeis a mais? Não filtrava os gases do motor devidamente? Não, simplesmente o Inspector não gostava desta marca, tivesse eu tirado as letras da ponteira e ele não saberia do que se tratava aquela peça. Não viram travões, não viram a direcção, não viram o funcionamento das luzes, nem da suspensão, mas o malfadado escape, esse desgraçado que poria em perigo os passageiros do veículo e outros que circulam na estrada, foi crucificado até hoje, pois em Fevereiro de 2024 ainda aguardo a aprovação dos documentos para este veículo. É triste mas tenho de o dizer, por estas e por outras, venham as inspeções das motos se isso representar gente séria e bem formada no cumprimento dessa função, e que sirvam para zelar pela segurança e bem estar de todos os que as utilizam.